quarta-feira, 29 de julho de 2015

Os abutres cotidianos

   Possuo uma sensibilidade tão grande e forte que muitas vezes a vida torna-se mais dolorosa do que na verdade é, sempre deixo esse lado emotivo tomar conta de mim. Desde ontem que estou pensativa em relação ao papel da mulher, particularmente negra, na sociedade, talvez por ser uma, talvez por conta do empoderamento cotidiano que toma conta de mim. 
   O empoderamento da mulher, especialmente a negra, tem um papel importante dentro da mesma sociedade estúpida que a vê como um fetiche de homens, um pedaço bonito de carne que merece ser exposto para abutres, que todos os dias é vista como uma comida, desde que seu seio começa a aparecer [ou antes disso] é vista por eles como mais uma gostosa, como se fôssemos apenas isso, uma comida. Eu gosto de comer, na verdade adoro, um dos meus pratos que mais amo é pizza, mas moqueca também! a diferença é que o que eu como não precisa de consenso, não tem coração, nem sangue, nem veia, nem uma mente brilhante a ser explorada, a moqueca de banana por exemplo, ela fica ali no meu prato esperando dar força para meu sangue passar pelas minhas correntes sanguíneas e dentro dessa fábrica que se chama corpo humano, fazer com que eu continue sorrindo. Mas sabe o que não me faz sorrir? abutres. Eles me comem todos os dias enquanto ando nas ruas com fone no ouvido para não precisar ouvir nenhum som emitido por eles, eles me comem todos os dias desde que eu ouvi pela primeira vez com 10 anos de idade de um velho que passava de bicicleta enquanto eu voltava da padaria "quero comer essa sua bucetinha gostosa", desde que fui beijada à força por um homem muito próximo a mim quando eu tinha 11 anos, desde quando um colega de sala pegou na minha coxa e disse que queria ficar comigo porque eu era mais gostosa que as outras meninas [brancas] da sala, desde que o dono [com uns 50 anos] de um bazar perto da minha casa disse que queria me beijar, desde que eu comecei a morrer de medo de andar sozinha nas ruas, desde quando decidi ser freira só para nunca me relacionar com homens, desde quando me disseram que eu nunca conheceria o amor por ser negra e que meu corpo servia para outras coisas, desde quando minha sexualidade nunca foi aceita como é, desde que fui perseguida por um homem de madrugada na minha cidade, desde quando tudo isso afetou minha vida pessoal, sexual e minha autoestima, ou seja caros amigos, desde sempre sou comida por esses abutres e eu garanto, não há como se acostumar.
   Mas há colos nos quais encontramos força para poder viver e dizer diariamente o quanto é difícil ser mulher negra e lésbica, mas não é impossível. Para sermos felizes precisamos saber que não estamos sozinhas e que no colo de alguém que passa o mesmo que você [ou pior] encontraremos o acalento necessário para prosseguir nesse mundo que não escolhemos nascer. Desde que passei a enxergar o mundo de uma forma diferente, tudo mudou, os amigos, os grupos, as discussões, os debates, os ideais de vida, tudo, exatamente tudo, até mesmo o corte de cabelo, e apesar de ter sofrido, hoje sou feliz por exigir apenas algo da vida: o amor.

Soares.

sábado, 11 de julho de 2015

Não ter para ser

Não ser aceita como você é.
Sofrer por ser quem é.
Fingir ter paciência
Querer sentir o sabor da liberdade plena
E não poder

É de uma angústia tão grande...

Se vocês entendessem isso, perceberiam que é o amor a base da vida
E o amor não tem nada
E tem tudo
O amor não é esse produto que vendem no mercado
Não tem regra
Não tem limite
Não é doente

Ah se vocês soubessem como eu sinto falta desse amor, dessa atenção, desse verdadeiro respeito
É tão ruim pensar que por ser eu, não tenho mais vocês
Por que ?

quinta-feira, 9 de julho de 2015

A Vida Não é Fácil

Não, não será nesse exato momento que você achará soluções para tudo na vida.

Eu sei que te ensinaram que a vida corre e que tudo tem que estar pronto aqui, agora e já. Mas, jovem, chega aqui mais perto...nos ensinaram errado.

Na correria que nos criam e nos ensinam, aprendemos várias regras que - geralmente - descobrimos mais tarde que não passa de uma cagação. Isso mesmo: CA-GA-ÇÃO. Várias merdas que um dia amontoam-se em sua cabeça e BUM, explodem. A partir desse instante, quando você se vê sozinha no mundo e atordoada, a primeira coisa que se passa pela sua linda mente é: vou solucionar tudo de vez. Outra merda que te ensinaram. Não há essa possibilidade, cara colega. 
Costumo generalizar que transições não são fáceis, nenhuma. As transições geram confusões internas (e externas), desconforto, desespero, desânimo e a tal da esperança que isso passará e você será mais feliz. E você sabe disso, sabe que será passageiro, se apega aos santos, orixás, buda, cosmo e mentaliza veemente que é uma fase e que em algum momento você há de rir, afinal, por quantas outras fases ruins você já passou né? Mas aí você volta a pensar que se você não conseguir um emprego logo, essa fase ruim há de triplicar, BUM, sua cabeça explode de novo. Então tá, vou largar tudo e curtir minha vida. Querida, você é pobre, senta a bunda nessa cadeira e continua a fazer seu trabalho. Mas, eu odeio esse trabalho. A vida não é fácil, colega. 
Depois de tanto diálogo interno, de tanto tiro, porrada e bomba entre você e você, eis que a sua decisão de mudar o mundo dentro de você é mais forte e você consegue achar algo que te motive a melhorar o seu estado psicológico, pode ser o mínimo possível, ou pode ser até uma utopia, mas ela existe dentro do seu peito e você pensa nisso todos os dias para que essa fase ruim passe logo, que essa carinha triste em frente o espelhinho de seu banheiro seja mudado para um sorriso feliz olhando as estrelas num campo florido ou seja um sorriso feliz num show de Amy Winehouse (eu disse que pode ser utopia).
O que importa, minha cara colega, é que tá na hora de parar de culpar o mundo, levantar a bunda dessa cadeira e seguir em frente. Entender os porquês dos problemas te deixará louca, mas entender os porquês da vida, você só conseguirá vivendo.









quinta-feira, 28 de maio de 2015

Sobre ser gente..

Quando pequena eu li Os miseráveis e aprendi sobre perdão, generosidade, desigualdade social, amor..
Quando adolescente eu li O Mundo de Sofia e A Metamorfose e com eles eu aprendi que primeiro temos que nos conhecer para assim poder entender o mundo, que mudanças existem e nós precisamos estar preparados para encará-las o tempo inteiro e que ser quem somos está em primeiro lugar !
Hoje sou adulta, já li um tanto de livros, até mesmo escrevi um bocado, assisti de tudo um pouco, passei por diversas transições e ainda não consegui entender os motivos de vivermos em uma eterna panela de pressão...

terça-feira, 14 de abril de 2015

Vou morar n'uma bolha
Lá todas essas dores não hão de me afetar
As lágrimas não hão de cair
Tudo que precisarei resolver
É como o meu amor
me beijará.

Soares

sábado, 28 de fevereiro de 2015

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Eu queria falar de algo
algo que mudasse algo
mas não algo que todos saibam
algo revolucionário
algo diferente
algo legal
mas 
como posso pensar nesse algo
se não sei nem como terminar 
esse algo aqui

Soares

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Café
Cigarro
Uma luz acariciando minha silhueta
O vento, ah o vento...
sopra no meu ouvido arrepiando minha pele
E no ritmo dessa leveza
Vou dormir escutando o barulho da loucura cotidiana.

Soares.
Gosto de pessoas decididas 
mesmo nas suas confusas ideias conseguem livrar-se do medo 
e decidir ser decidida.

Soares.